• Dra. Elba Ássima

Cetamina para tratamento de depressão resistente


A depressão é uma das doenças mais comuns e mentalmente incapacitantes atualmente no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem dessa doença, sendo a prevalência maior em mulheres e com início geralmente entre 17 e 25 anos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2016; STRASBURGER et al., 2017).



A depressão tem se tornado um problema socioeconômico grave, uma vez que há prejuízo no funcionamento global dos indivíduos que sofrem dessa doença, incapacitando-os para o trabalho e demais atividades da vida.

Existem diversos subtipos de depressão, e a depressão pós-parto se destaca entre eles por afetar tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento da progênie. Essa doença ocorre nas primeiras semanas após o parto e afeta uma a cada sete mulheres no mundo atual. Também é considerada a principal complicação do parto, e cerca de 50% das mulheres com essa doença não são diagnosticas e não recebem o tratamento adequado.

Há vários tratamentos farmacológicos e não farmacológicos para a depressão, incluindo antidepressivos, terapia eletroconvulsiva e psicoterapia; apesar da variedade de terapias existentes, muitos pacientes não conseguem seguir o tratamento até o final.

Assim como nos outros subtipos de depressão, o tratamento para a depressão pós-parto também emprega meios farmacológicos e não farmacológicos. Uma das grandes preocupações com o tratamento farmacológico é de que esses medicamentos podem afetar a progênie por meio da amamentação. Desse modo, é necessário considerar as consequências que esse tratamento possa ter na mãe e no lactente, de forma a minimizar a exposição do bebê à depressão materna e ao medicamento antidepressivo por meio da amamentação. Assim, há necessidade de desenvolver novos medicamentos que tenham resposta rápida, maior eficácia e menos efeitos adversos para tratar essa doença.

Sabe-se que os receptores glutamatérgicos N-metil-D-aspartato (NMDA) possuem papel importante em doenças mentais como ansiedade e depressão. Estudos pré-clínicos em ratos mostraram que antagonistas desse receptor causam efeitos ansiolíticos e antidepressivos. Entre esses antagonistas, a cetamina vem se destacando como potencial fármaco antidepressivo; estudos clínicos mostram que a administração desse medicamento é capaz de aliviar as manifestações clínicas da depressão dentro de poucas horas.

Levando em consideração que há uma tendência para a ampliação do uso clínico da cetamina como antidepressivo e que há poucas informações sobre a segurança e eficácia do seu uso prolongado e no período perinatal, esta revisão tem como objetivo apresentar as informações mais recentes sobre os efeitos da depressão no desenvolvimento da progênie e o possível uso da cetamina como tratamento para a depressão pós-parto.

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