• Dra. Elba Ássima

Espiritualidade como fator protetor em transtornos mentais


Nos últimos tempos, a psicologia tem se voltado ao estudo da espiritualidade/religiosidade e sua relação com a saúde mental, o bem estar psicológico e a integração bio-psico-socio-espiritual do ser humano. Pode-se identificar a saúde mental como uma "mente saudável". Esta mente saudável seria o movimento contínuo do sujeito em busca de um bem estar, de modos de vida que o sustentem diante das adversidades do cotidiano e que o ajudem num processo de mudança e produção da subjetividade e não como mera ausência de doenças. Essa visão está próxima da noção de "qualidade de vida", e abrindo, assim, espaço para se pensar também o papel da espiritualidade na saúde mental.


Existem mais de 3.000 pesquisas que estudaram a relação entre transtornos mentais e aspectos religiosos espirituais, sendo que a grande maioria encontrou relação positiva, com maior bem-estar, qualidade de vida, diminuição da taxa de suicídio, menor mortalidade e baixos índices de uso de substâncias psicoativas.


Um dos aspectos dentro da psiquiatria transcultural é exatamente o diagnóstico diferencial entre transtornos mentais e problemas espirituais. Dentro dessa perspectiva, podem ocorrer apenas transtornos mentais ou aspectos espirituais – sem necessariamente eles serem problemas – e pode haver transtornos mentais junto a manifestações chamadas espirituais, dentro de um contexto religioso ou não.


A psiquiatria transcultural é um campo de estudos sobre a interface entre a cultura e a saúde mental, e o estudo desses diagnósticos diferenciais é um desses domínios.


Religiosidade e espiritualidade são, na maioria das vezes, fatores de proteção. Porém, vale ressaltar que existem impactos negativos sobre a saúde, por exemplo, podendo essa variável estar associada com baixa adesão ao tratamento, obesidade e comportamentos de opressão e violência, levando a uma relação disfuncional do sujeito com a sua própria religiosidade.


Religião. Mas até que ponto o comportamento humano é influenciado por componentes espirituais? Do ponto de vista psicológico, nossos comportamentos têm relação com nossas crenças e valores, e a religiosidade é uma matriz de crenças e valores das mais variadas culturas. Estudos mostram que em torno de 84% da população mundial tem uma filiação religiosa, ou seja, a religião é fonte de influência sobre o jeito que o ser humano vê o mundo e se comporta. Ao mesmo tempo, é preciso ter atenção aos rótulos religiosos.


Do ponto de vista científico, há várias explicações para a chamada “mediunidade”. Uma das perspectivas dentro da visão materialista é que se trata de uma criação mental. Outras perspectivas não materialistas consideram a possibilidade de haver comunicação de alguma forma de vida que não esteja nesse universo material e que se comunica com o indivíduo, e outra mais difusa: que o cérebro pode estar captando informações no universo de uma maneira mais ampla, sem que, necessariamente, esse fato esteja relacionado a um espírito, por exemplo.

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