• Dra. Elba Ássima

Quando câncer e depressão aparecem juntos

Pacientes oncológicos podem desenvolver um quadro depressivo e a ajuda profissional será fundamental

Por Natália Mancini



O diagnóstico do câncer pode alterar vários aspectos da vida de uma pessoa e enfrentá-los nem sempre é uma tarefa fácil. Alguns pacientes acabam desenvolvendo um quadro de depressão e isso faz com que o prognóstico seja afetado negativamente. Ao identificar os sinais, é importante procurar um profissional para que avalie quais são os melhores passos a seguir.

Depressão é uma doença psiquiátrica que afeta o emocional de uma pessoa. Ela é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o “Mal do Século”. Assim como o câncer, a depressão acontece devido a múltiplos fatores que podem ser tanto ambientais quanto fisiológicos.

Ou seja, essa condição acontece devido ao desequilíbrio de alguns neurotransmissores, como serotonina, noradenalina e dopamina, e também por conta da genética e do ambiente em que se vive. Por exemplo, quando se está feliz com alguma situação, são liberados altos níveis de dopamina. E é a genética do organismo quem decidirá a quantidade exata. O mesmo vale para o inverso – quando algo faz com que a pessoa fique triste, é a sua genética quem decide quanto neurotransmissor liberar.


Relação entre depressão e câncer

A Dra. Ana Lúcia Benito, psiquiatra especialista em Oncologia, explica que é normal que com o diagnóstico e com o tratamento, a pessoa sinta tristeza. “Isso acontece porque o câncer causa uma grande mudança na vida. Mas é importante frisar que tristeza é diferente de depressão. Então, não é normal que uma pessoa que está em tratamento oncológico tenha depressão”.

A psiquiatra conta que as pesquisas mostram que um paciente oncológico tem mais chances de desenvolver um quadro depressivo. Mas ser comum, não quer dizer que é normal.

Diversos fatores podem estar relacionados a maior incidência de depressão entre os pacientes, como as mudanças físicas relacionadas à doença e também o impacto social que o câncer pode causar. Esta é uma doença que realmente pode mudar a maneira como as pessoas enxergam a vida.

Outra questão muito importante é que a depressão, se não tratada, pode interferir no tratamento oncológico. “As pesquisas apontam que um paciente com depressão tem um risco aumentado em 2,6 vezes de ter o tratamento prejudicado. Isso porque ele tem mais dificuldade em aderir aos medicamentos e em seguir as orientações médicas e da equipe multiprofissional”, diz a Dra. Ana.


Em quais sintomas de depressão preciso ficar de olho?

A psiquiatra conta que para diagnosticar a depressão em um paciente oncológico alguns critérios devem ser observados. “Em pessoas com câncer, alteração no sono, perda ou ganho de peso e cansaço não são critérios utilizados, pois não necessariamente estarão relacionados à depressão, mas sim ao tratamento. Então costumamos usar alguns métodos diferentes, como perceber uma tristeza constante e generalizada, se o paciente apresenta um senso de desesperança, culpa excessiva, arrependimento. Se sente necessidade de ficar muito isolado, de se autocriticar excessivamente, ter pensamentos suicidas e não sentir mais prazer em coisas que antes o deixavam feliz”, explica a especialista.

Um ponto importante a ser ressaltado é que ninguém escolhe ter depressão. Não é simples “sair” de um estado depressivo, por isso receber um tratamento profissional será essencial.

“A depressão é entendida como um transtorno no qual existem alterações de neurotransmissores cerebrais que levam a esses sintomas. Então, não é falta de força vontade, ou que a pessoa está se entregando. É realmente uma doença e que precisa ser tratada”, ressalta a Drª Ana.


Cura da depressão

Se o paciente, ou familiar, identificar alguns dos sintomas da depressão, deve procurar ajuda de um especialista – psicólogo ou psiquiatra – o mais rápido possível. Ele estará habilitado para diagnosticar o quadro e decidir qual é o melhor tratamento a ser utilizado.

Os antidepressivos são muito importantes, mas nem todos os casos necessitam de medicamentos. Às vezes, o acompanhamento psicológico já é suficiente. Além disso, é possível alinhar à terapia, atividades físicas, técnicas de relaxamento, acupuntura, dentre outras.

“É importante a avaliação para saber qual, ou quais, são os tratamentos mais indicados na situação. Podem ser utilizadas várias abordagens, inclusive ao mesmo tempo, dependendo da necessidade do paciente naquele momento”, conta a psiquiatra.

É fundamental que o profissional entenda sobre o tratamento oncológico que a pessoa está realizando. Isso porque alguns antidepressivos podem interferir no tratamento, prejudicando a resposta do paciente ou ajudando nos efeitos colaterais.

“Alguns podem ajudar no ganho de peso. Já para pacientes que tiveram câncer de mama e posteriormente precisaram fazer uso de medicamentos por questão hormonal, podem ser escolhidos antidepressivos que melhorem a sensação de calor, um efeito colateral bastante comum”, explica a Dra. Ana.


Matéria completa através do link.

Fonte: http://www.abrale.org.br/revista-online/quando-cancer-e-depressao-aparecem-juntos/

6 visualizações0 comentário